Transicionandos

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O perigo dos pequenos pensamentos negativos
Autoria: Bel Cesar
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Como é verdadeiro o fato de que basta seguirmos um ínfimo pensamento negativo para desencadearmos uma série de dúvidas e frustrações! Nossos pequenos pensamentos negativos são como um vírus, que rapidamente se multiplica e cresce, causando-nos febre e mal-estar.
É preciso manter nossa mente sob uma lente de aumento de microscópio.
Como são tantos os pensamentos que fluem em nossa mente, na maioria das vezes não nos damos conta do quanto somos invadidos por atitudes mentais destrutivas. É como a gripe: na maioria das vezes, só percebemos que estamos gripados quando começamos a nos sentir mal. Mas assim como é possível reverter um processo gripal se soubermos identificar seus menores sintomas, podemos reverter a mente negativa ao aprender a identificá-la assim que ela surgir.
Lama Gangchen Rinpoche nos ensina a reconhecer os menores sinais de mudança de nossa mente nas diversas expressões de rosto: elas refletem as nuanças de cada forma-pensamento. Para tanto, ele nos estimula a usar nossa capacidade de manter a atenção como um espelho. Isto é, se estivéssemos vendo nossa imagem 24 horas refletida num espelho, ficaríamos surpresos ao ver quantas de nossas expressões faciais não são tão belas quanto aquelas que tentamos fazer quando nos olhamos no espelho rapidamente para nos arrumar.
Se não queremos mais ter faces feias, temos que começar por admitir que costumamos fazê-las, alertou Lama Gangchen Rinpoche em seus ensinamentos.
Mas, por que fazemos faces feias? Rinpoche nos lembra que estas faces expressam nossa fome e sede interior que se agravam à medida que não fazemos nada para saciá-las! Costumamos perder mais tempo nos lamentando da fome do que gerando recursos para supri-la. Isso ocorre porque conhecemos pouco os alimentos da alma. O que torna nossa mente sutil satisfeita?
São atitudes que nutrem nosso corpo e mente sutil: orar, recitar mantras, fazer visualizações criativas, assim como mover o corpo com gestos pacíficos. Temos que admitir que nossas atitudes habituais não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado de uma mente pequena que quer apenas se proteger, se defender. Mas possuímos também uma mente grande, que busca naturalmente por evolução.
Thomas Moore, em seu livro O que são almas gêmeas (Ed. Ediouro), comenta que por mais verdadeiros que sejam os problemas da vida prática, eles nunca são idênticos às preocupações da alma. Por isso, escreve: Para nos devotarmos à alma, talvez seja preciso soltar outros vínculos, e para permitir que a alma expresse sua própria intencionalidade e propósitos, talvez tenhamos que abrir mão de antigos valores e expectativas.
De fato, as exigências da alma podem nos parecer paradoxais. Por exemplo, quem não conhece o desejo de querer se libertar das atitudes baseadas no apego, como o ciúme? Apesar da alma não querer viver sob a tensão do controle, nossa mente pequena encontra apenas segurança quando controla tudo e todos...
Por isso, sentir a satisfação interior é uma tarefa difícil demais para uma mente pequena!
Lama Gangchen nos ensina a diferenciar as atitudes mentais entre uma pequena e uma grande mente. Quanto estamos sob os ditames da mente pequena, dizemo-nos: Eu não sei... eu não quero... eu não posso... Mas quando atuamos com nossa mente grande, proclamamos sem dificuldade: OK, eu posso lidar com esta situação, seja ela agradável ou não.
A mente grande não rejeita nenhuma experiência da vida. Afinal, ela não está contaminada por atitudes covardes ou indulgentes. Se passarmos a observar honestamente quantas situações podemos enfrentar se não seguirmos nossa mente pequena, ficaremos surpresos e felizes em notar que podemos fazer muito mais do que estamos habituados.
Temos que admitir que as atitudes mentais de uma mente pequena não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado da insegurança. Uma mente pequena diz que não sabe, mesmo antes de se questionar. Diz que não quer, sem ter consultado seus desejo mais profundos. Baseadas na carência, são atitudes que buscam se defender sem até mesmo terem sido atacadas. Uma mente pequena é tendencialmente competitiva. Apesar de ser uma mente baseada na crença de ser excluída e solitária, não busca por união. Já a mente grande busca naturalmente evoluir, unir, comungar.
A mente pequena nutre o sofrimento, enquanto que a mente grande sabe como absorvê-lo. O sofrimento perde sua força ao passo que é reconhecido pela mente grande. Por isso, os mestres budistas nos incentivam a dialogar com o nosso sofrimento. Lama Gangchen nos fala: Deixe a sua sabedoria conversar com a sua ignorância. Dê tempo e espaço para sua sabedoria de expressar. Ela não deve ficar oprimida pela ignorância.
A agitação interior é um reflexo do movimento de uma mente pequena. Se nos determinarmos a não seguí-la e, cultivarmos uma atitude de calma e a atenção, já estaremos manifestando naturalmente nossa mente grande!

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Autoria: Bel Cesar (Email: belcesar@ajato.com.br)
Fonte:
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=5191
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Círculo de Luz e Amor de Mãe Maria
Queridos irmãos e irmãs, com as bênçãos da Mãe Divina.
Amor e Luz, Jane Ribeiro
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Amados Filhos,
Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.
Parai vossas atividades por alguns instantes, para mergulhar no silêncio e buscar nele resgatar vosso equilíbrio e vossa compreensão.
Inspirai e expirai profundamente, enquanto vossas almas esperam, pacientemente, que possais acalmar vossos pensamentos para ouvirdes a voz de Deus que emerge do âmago do vosso ser.
Mergulhai, então, nos eventos de vossa jornada, para tornar claro, mais uma vez, o propósito que vos trouxe a 3ª dimensão, o propósito de resgatar o Deus que existe em vós, e que exige de vós total transformação; transformação dos limites criados pela incompreensão de vossa filiação divina, e que vos fez acreditar na dor e no sofrimento como formas inerentes do viver no mundo da ilusão.
Lembrai-vos, contudo, que o ser humano, e só o ser humano, tem o poder de transformar a negatividade em luz, e essa é vossa missão, mas lembrai-vos também que o caminho inverso, o caminho comandado por vossos egos jaz presente em vossas jornadas, o caminho que pode vos levar a transformar luz em escuridão.
Atentai, pois para essa verdade!

Não basta escolher o caminho a seguir, o caminho clamado por vossas almas, o caminho da luz, eis que para trilhar o caminho da luz se faz necessário vossa total transformação, transformação que se dá pela prática, no dia a dia, de toda a sabedoria que esse mesmo caminho já vos permitiu resgatar.
Começai, pois buscando recuperar vosso equilíbrio, aquele que decorre da certeza que sois um Filho da Luz, e como tal podeis transpor todos os obstáculos, sempre atentos ao vosso propósito, sempre revelando muito amor de vossos corações, sempre exercitando a humildade que vos permite respeitar vosso semelhante, compreendendo que cada um é soberano para escolher seu caminho, eis que cada um constrói sua própria estrada fundamentado em suas crenças, crenças essas que se manifestam como suas verdades.
Porém, vós que trilhais já o caminho espiritual sabeis que só existe uma verdade, aquela que flui do Pai Criador, aquela que vos revela vossa origem divina, que vos faz reconhecer vosso Poder Divino, e vos faz praticar a Justiça Divina com o propósito de expressar Amor e Paz Divinas.
Contudo, Eu vos alerto que, para serdes um fiel servidor da luz e um exemplo a seguir, se faz necessário que possais praticar a humildade, para que vossos irmãos reencontrem também essa única verdade através de vossas condutas, vendo em vossas atitudes o reflexo da bondade do Pai Criador, reconhecendo em vós o ser de luz que eles também podem manifestar, eis que são iguais a vós em essência, pois filhos do mesmo Pai.
É hora, pois de viver em harmonia com tudo e com todos, é hora de exercitar a compaixão, é hora de revelar a humildade dos justos de coração, é hora de iluminar a estrada que leva ao Pai.
Vós sois os precursores, vós aceitastes a incumbência de servir a Luz manifestando em vosso mundo as virtudes da Luz, para que fosse possível a aceleração do processo que leva a humanidade a dar mais um passo rumo à ascensão.
Assim sendo, não vos esqueçais que o Pai vos abençoa a cada passo, para que possais seguir sempre em frente com determinação, amor e humildade, sabendo que os desafios continuarão presentes nesta etapa de vossas jornadas, mas que vós podeis sim olhar para cada um deles com os olhos da compreensão, buscando reconhecer o propósito de suas presenças em vossas vidas, aceitando-os com amor e alegria, eis que sabeis que eles nada mais são do que instrumentos para aprimorar a manifestação da vossa perfeição.
Bem amados, que possais refletir somente a luz em vossos caminhos, e que vossas orações continuem reforçando a fé e a determinação de seguirdes sempre em frente, para que vossos irmãos que ainda não despertaram possam finalmente acordar e reconhecer, na luz que brilha em vós, o caminho que leva ao Pai.
Bem amados, Eu vos deixo agora derramando sobre todos vós as minhas bênçãos e envolvendo a todos no meu manto de proteção, porque Eu Sou Maria, Vossa Mãe.
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Mãe Maria  

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Créditos:
Jane M. Ribeiro - 31/05/2011
(recebido via email)

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 Conexão interior
Somos nós que encontramos a alma, andando no caminho...
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“Acontece que quando o referencial em nossa vida está no exterior criamos aos poucos, como se não soubéssemos, uma desarmonia dentro de nós, conseqüência natural de nossa desconexão. Com esta desarmonia nós fazemos um convite a um certo tipo de descontentamento inconsciente. Um descontentamento que conseguimos esconder por um tempo, enquanto não houver sofrimento.
O descontentamento vai se somando no interior e se demorarmos a tomar consciência deste descontentamento, certamente, esta realidade subjetiva, da qual não é possível fugir, irá se manifestar em nossa vida. Seja através da forma como nos relacionamos com nós mesmos, com o nosso corpo, a nossa saúde e os nossos hábitos de vida, seja através da forma como nos relacionamos com as pessoas do nosso convívio, a nossa família e amizades, seja na nossa relação com o mundo em que vivemos. E iremos experimentar as conseqüências. Nós criamos e atraímos o sofrimento.
Para o sofrimento acontecer, antes de tudo, perdemos a nossa CONEXÃO INTERIOR. Nós nos mantivemos distantes daquilo que somos. Nós nos esquecemos da nossa promessa.
Nós chegamos ao mundo como uma semente e trazemos uma promessa. Uma promessa de uma bela flor, de uma linda árvore. É verdade, a semente nem sempre encontrará um solo preparado e adequado, nem sempre encontrará as condições ideais e a árvore terá que crescer. Há mistérios que somente na alma podem ser desvendados. O solo no qual a semente foi lançada é o que ela necessita para aprender e evoluir.
Se nós formos em busca de nós mesmos, se nós formos em busca da nossa CONEXÃO INTERIOR e estivermos dispostos a caminhar por quaisquer obstáculos, aos poucos, mudanças irão acontecendo ao nosso redor. Não porque estamos conseguindo mudar o mundo, as pessoas com quem convivemos, mas porque a mudança está acontecendo dentro de nós. Não somos nós que temos que mudar o mundo, mas é o mundo que está a serviço da nossa mudança. Se nós mudamos, o nosso mundo muda.
É necessário aceitar a vida que se tem hoje e buscar, estar aberto, se preparar para uma nova escolha. É a vida que temos hoje que nos dará o suporte que necessitamos. Não é preciso forçar qualquer mudança na vida que se tem. A vida que se tem hoje, é o solo, fomos nós quem escolhemos, a alma sabe, é o terreno fértil, ‘a lama da qual renascerá o lótus’. Está ao nosso serviço, a nos impulsionar para uma nova escolha.
É necessário conhecer a própria vida, aceitar a própria vida com tudo que há de amor e de dor. Deixar que a mudança aconteça, primeiro, dentro de nós, na vida que se tem. Se a mudança não acontecer dentro de nós, não vai adiantar fazermos mudanças em nossa vida. Levaremos as nossas questões para onde for. Talvez em outro cenário, com outras pessoas, mas, na essência, as mesmas questões. Podemos enganar a nós mesmos, até quando, não se sabe ao certo. Vai depender da nossa capacidade de suportar. Mas, no nível da alma, não há enganos. As histórias se repetem.
Para que haja Vida na nossa vida, para sermos felizes e nos realizarmos, para que haja realização no nível da alma e possamos sentir e experimentar esta realização com consciência, é necessário fazer este caminho de mudança, de aprendizado, e restabelecer a nossa CONEXÃO INTERIOR. É necessário se entregar ao caminho, a este caminho, se encontrar no caminho, ‘encontrar a alma andando no caminho’ como diria o poeta.
Não é o caminho da alma que um dia encontramos. Somos nós que encontramos a alma andando no caminho. A alma já está caminhando, há certo tempo. E quando esta consciência chega a um de nós, é um sentimento tão belo que acontece, indescritível, que se expande.
Para cada um de nós existe um caminho próprio, para cada alma existe um caminho especial. O universo está cheio de caminhos, uma infinidade de caminhos. Eles estão todos interligados, como uma rede. E Deus está experimentando todos eles. Ele chora e sorrir com a gente, ele sorrir com os nossos encontros e chora com os nossos desencontros. Ele já aceitou, já nos aceitou. Ele sente a nossa dor e o nosso amor. Deus, esta força que abrange o amor e a dor no AMAR. E que experimentamos através da nossa CONEXÃO INTERIOR...”


Autor:
Antônio Caldas.

(via email em 23/05/2011)
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Jesus no cotidiano
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Ó Jesus, bom e amado mestre!
Consente Senhor que não me torne vítima
Que não avinagre com palavras
Aqueles que convivem junto comigo

Ó Senhor, purifica o meu coração
Santifica a minha língua
Para que eu não venha a me entreter
Com palavras mesquinhas e rasteiras
Dá-me um temperamento ameno
Para que eu possa santificar o meu verbo

Bom e amado Mestre!
Retira os resquícios da maldade que há em mim
Que eu tranque a porta do meu templo interno
Para que não surja a energia do desamor
Ilumina o meu ser
Deixa que agora eu adote uma nova postura
E renovado, possa me investir do bem e do amor
Que Tu nos dás sobre a nossa alma
E a nossa vestimenta carnal

Jesus socorre-me quando a ânsia
Da explosão negativa apareça
Dá-me também a força de resistir ao mal
Para que durante os meus dias
Não venha a manchar a minha alma
Ou marcar com os sinais do desamor
A minha individualidade
Ainda intocada das cinzas da ilusão

Inova-me em energias bondosas
Em silêncio, em preces!
Na tua força Jesus, encomendo-me
A luz que sorrateiramente emana de ti
De entrega e aviação do bem infindável
Dirigida aos teus irmãos carentes
Em um poço de harmonia e vegetação
Florida em mim no momento
Em que paro para entrar em conexão contigo
A te pedir humildemente e ao mesmo tempo agradecer
As chamas de luz que sentimos
Quando paramos para contigo conversar
Solicitando as fagulhas do teu puro e eterno amor.
Em verdade, em fé, alegria e em plena luz da esperança.
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Olavino 
 (espírito)
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Fonte:
http://cristaiscelestes-novaera.webnode.com/
Canal: Francyska Almeida - (Fortaleza/Ce-Brasil)

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 Uma Homenagem às Mães  
(Médiuns* da Vida)
Wagner Borges
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Mãe, cresce em teu ventre um filho do Eterno.
A energia se condensa em volta da estrelinha espiritual.
O azul do Céu se junta com o vermelho da Terra.
O teu ventre vira um sol, e tua aura fica tão linda!
Que o teu útero seja uma casa abençoada!
Que as luzes do universo iluminem o lar do teu bebê.
Que tu sintas a pulsação da vida chegando a ti.
Que tu recebas o filho como um presente da Presença**.
Que a história dele seja linda contigo.
Na linha do horizonte do céu de teu coração, brilha a aurora.
Em teu ventre, brilha o fogo estelar revestido de corpo da Terra.
Em teus olhos, o brilho da esperança e do amor.
Nos olhos do bebê, o brilho da vida florescendo na nova experiência.
Mãe, em teus olhos, e nos olhos do teu filho, o brilho da Presença.
Sabe, o Eterno cingiu espiritualmente tua fronte e disse:

“Querida, recebe uma de minhas estrelinhas, como se fosse tua.
Cuida dela com inteligência e carinho, sem deixares de ser tu mesma.
Ama-a e ajuda-a a crescer; mas sem que tu deixes de crescer também!
E não te esqueças: tu também és uma de minhas estrelinhas.
Tu eras menina; agora te tornastes mulher e mãe: percebes o ciclo da vida?
Por um tempo, minha estrelinha será tua; cuida dela como um presente.”

Mãe, tua tarefa não é fácil; mas os poetas e os espíritos te compreendem.
Eles percebem o presente que a Presença te deu. Eles vêem o brilho!
Eles conhecem tuas esperanças e teus sonhos, apenas pelo brilho do teu olhar.
Eles olham para o teu ventre e vêem o sol; olham para ti, e vêem a aurora.
Eles vêem tua fronte cingida pelo Eterno. Eles sabem de onde vem a estrelinha.
Sim, os poetas e os espíritos de luz conhecem o teu presente.
Por isso eles se uniram para te homenagear, sob a luz da Presença.
Tu agora és mais do que mulher: tu és mãe! Tem um sol no teu ventre!
Saibas disso, querida, e sejas feliz.
Que a luz ilumine a jornada de teu bebê pelos caminhos da vida.
Que o amor te dê forças e coragem para ajudá-lo nessa travessia.
Que tu sejas uma inspiração para ele.
E, não te esqueças: além de mãe, tu és mulher também!
Não cuides apenas dele; cuida de ti mesma; cresça junto!
O bebê é uma estrelinha do Todo; mas tu também és!
Que tu brilhes muito; que o bebê brilhe; que a vida floresça...
Em todos os brilhos, o brilho da Presença que está em tudo.


(Esses escritos são dedicados a todas as mães; pelas noites de sono mal dormidas; pelos seios rachados de tanto amamentar; pelo choro de preocupação; pela paciência de agüentar muitas pirraças; pela coragem de aceitar a tarefa de educar uma estrelinha da Presença como se fosse sua mesma; pela força de suportar o próprio ventre virar sol; pela decisão de permitir o desenvolvimento de mais uma vida em seu ser, mesmo à custa de tanto sacrifício.)

Autor:
Wagner Borges

Fonte:
IPPB Yahoo Grupos

(recebido por email)





A base moral do Vegetarianismo: conceitos, história e fundamentos.
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Extraído do livro: Gosto Superior
Baseado nos ensinamentos de Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(Receitas Internacionais Guia Prático do Vegetarianismo)
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Introdução

Influenciadas por fatores que variam desde a saúde e a economia até a éticae a religião, milhões de pessoas ao redor do mundo estão se voltando para uma dieta vegetariana.
Gosto Superior explica claramente as várias razões pelas quais as pessoas deixam de comer carne. (...) Também tão importante quanto os ingredientes que você usa para cozinhar é a sua consciência. Como qualquer pessoa pode transformar uma rotina diária em uma experiência bem aventurada e iluminante. O ato de preparar alimento vegetariano que não acarreta karma é uma parte integrante do mais elevado sistema de Yoga e meditação descrito nos ensinamentos intemporais da literatura védica indiana. No Bhagavadgita, o Senhor Krsna afirma: "Se alguém me oferecer, com amor e devoção, uma folha, uma flor, frutas ou água, eu as aceitarei". A pessoa que prepara alimento vegetariano puro e natural e em seguida o oferece ao Senhor Supremo automaticamente sentirá o despertar do sublime prazer espiritual no coração.
O Senhor Supremo é descrito nos Vedas como o reservatório de todo o prazer e, para aumentar seu prazer, ele se expande através de sua energia de prazer em incontáveis seres vivos que têm o propósito de compartilhar de seu desfrute. Todos nós somos partes dessa potência eterna de prazer e, pelo simples ato de prepararmos o alimento para o prazer de Deus, podemos experimentar gozo transcendental. Você perceberá isso tão logo saboreie a comida que você ofereceu. Como disse o ex- beatle George Harrison certa vez em uma entrevista: "Quando você sabe que alguém cozinhou algo com relutância, isso não tem um sabor tão agradável quanto o alimento que, feito para atrair e agradar a Deus, é lhe oferecido primeiramente. Basta isto para que o alimento fique muito mais saboroso". É isso que queremos dizer com "um gosto superior".
O Capítulo Primeiro revela como a pesquisa médica moderna mostra grandes relações entre o consumo de carne e as doenças fatais, como o câncer e doenças cardíacas. O Capítulo Segundo expõe o mito da escassez alimentar mundial e esclarece as vantagens económicas que a dieta vegetariana propicia à sociedade e ao indivíduo. No Capítulo Terceiro, demonstram-se os fundamentos éticos do vegetarianismo, focalizando os escritos de alguns dos maiores líderes religiosos, escritores e filósofos do mundo, dentre os quais Pitágoras, Platão, Leonardo da Vinci, Rousseau, Franklin, Shelley, Tolstoy, Thoreau, Gandhi e outros. Também se examina o princípio da não-violência, conforme defendido nos ensinamentos do judaísmo, cristianismo, budismo e hinduísmo. Uma análise de como as leis do karma e a reencarnação se relacionam com o vegetarianismo forma a base do Capítulo Quarto. O Capítulo Quinto explica em pormenores a lógica e os procedimentos de se oferecer alimento vegetariano ao Senhor Supremo como parte do sistema debhakti-yoga. No Capítulo Sexto, trechos dos escritos de Srïla Prabhupãda, a maior autoridade sobre a cultura védica, fornecem um resumo muito conciso e de fácil leitura da filosofia por trás da dieta vegetariana espiritual delineada em Gosto Superior.

Saúde e uma Dieta que não contenha Carne
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A indagação central acerca do vegetarianismo consistiria em perguntar se é saudável eliminar-se a carne e outros alimentos animais. Agora, entretanto, a questão principal é se é mais saudável ser um vegetariano do que um carnívoro. A resposta a ambas as perguntas, tomando como base a evidência disponível hoje em dia, parece ser um sonoro sim.
Jane E.Brody - New York Times - News Service :"Hoje em dia, com a crescente evidência do efeito crítico da dieta na saúde e na longevidade, um número cada vez maior de pessoas está levantando esta pergunta: ao corpo humano é mais apropriada uma dieta vegetariana ou uma dieta que inclua carne?"
Na busca das respostas deve-se considerar duas áreas — a estrutura anatómica do corpo humano e os efeitos físicos do consumo de carne.
Visto que o ato de comer principia nas mãos e na boca, o que poderá nos revelar a anatomia destas partes do corpo? Os dentes humanos, da mesma forma que aqueles dos herbívoros, são projetados para mastigar e triturar substâncias vegetais. Os seres humanos não possuem os agudos dentes frontais que se destinam a cortar carne e que são característicos dos carnívoros. Os animais que comem carne geralmente deglutem seu alimento sem mastigá-lo e, portanto, não necessitam de molares ou de uma mandíbula capaz de mover-se lateralmente. Também a mão humana, sem unhas aguçadas e com seu polegar que pode fazer
oposição aos outros dedos, é mais adequada para colher frutos e vegetais do que para capturar uma presa.

Digerindo a carne

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Uma vez no estômago, a carne necessita de sucos digestivos altamente concentrados em ácido clorídrico. Os estômagos dos seres humanos e dos herbívoros produzem menos de um vigésimo de concentração de ácidos em relação aos carnívoros.
Outra diferença crucial entre o carnívoro e o vegetariano é encontrada no trato intestinal, onde o alimento é digerido mais ainda e os nutrientes passam para o sangue. Um pedaço de carne é parte de um cadáver, e sua putrefação cria catabólicos venenosos dentro do corpo. Dessa forma a carne deverá ser eliminada rapidamente. Com este objetivo os carnívoros possuem canais alimentares que são apenas três vezes o tamanho de seu corpo. Desde que o homem, da mesma forma que outros animais que não comem carne, possui um canal alimentar doze vezes o tamanho de seu corpo, a carne em rápida decomposição fica retida por um tempo mais longo, produzindo uma grande quantidade de efeitos tóxicos indesejáveis.
Um órgão do corpo que é afetado desfavoravelmente por estas toxinas são os rins. Este órgão vital, que elimina os catabólicos do sangue, é sobrecarregado pelo excesso de veneno introduzido pelo consumo de carne. Mesmo os que comem carne moderadamente necessitam que seus rins trabalhem três vezes mais em relação aos vegetarianos. Os rins de uma pessoa jovem podem ser capazes de aceitar este desafio, mas à medida que a pessoa envelhece o risco da doença e insuficiência renal aumenta grandemente.

Doença cardíaca

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A incapacidade do corpo humano de lidar com gorduras animais em excesso é outra indicação de que o consumo de carne não é algo natural. Os animais carnívoros podem metabolizar quantidades quase ilimitadas de colesterol e de gorduras sem quaisquer efeitos adversos. Em experiências com cachorros, foram adicionados até 225 gramas de gordura de leite à sua dieta diária em um período de dois anos sem que ocorresse absolutamente qualquer alteração em seu nível sérico de colesterol.
Por outro lado, seres vegetarianos têm uma capacidade muito limitada de lidar com qualquer nível de colesterol ou de gordura saturada que ultrapasse o limite requerido pelo corpo. Quando há consumo excessivo no decorrer de muitos anos, depósitos gordurosos (placas) acumulam-se nas paredes internas das artérias, desencadeando o aparecimento de uma condição conhecida como arterosclerose, ou endurecimento das artérias. Uma vez que as placas depositadas dificultam o fluxo de sangue para o coração, aumenta-se tremendamente o potencial para ataques cardíacos, derrames e coágulos sanguíneos.
Em 1961 o Journal ofthe American Medicai Association (Jornal da Associação Médica Americana) afirmou que 90 a 97% das doenças cardíacas, causa de mais da metade das mortes nos Estados Unidos, poderiam ser prevenidas através de uma dieta vegetariana. Estes achados são fortalecidos por um relato da Associação Médica Americana, que declara: "Em estudos bem documentados de populações utilizando métodos padronizados de dieta e avaliação de doença coronária... a evidência sugere que uma dieta de gorduras altamente saturadas é um fator essencial para uma alta incidência de doença cardíaca coronária". A Academia Nacional de Ciências também relatou recentemente que o alto nível de colesterol sérico encontrado na maioria dos americanos é um fator importante na "epidemia" de doença cardíaca coronária nos Estados Unidos.
Uma evidência a mais da inconveniência do trato intestinal humano para a digestão de carne é a relação, estabelecida por numerosos estudos, entre o câncer de cólon e o hábito de comer carne. Uma razão para a incidência de câncer é o conteúdo rico em gorduras e pobre em resíduos de uma dieta centralizada na carne. Isto resulta em um trânsito lento através do cólon, permitindo que os detritos tóxicos executem seu dano. O Dr. Sharon Fleming do Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade da Califórnia em Berkeley afirma: "Parece que a fibra na dieta ajuda a reduzir a frequência de câncer de cólon e câncer retal". Além do mais sabe-se que enquanto digerida, a carne produz metabólitos esteróides que têm propriedades carcinogcnicas (que produzem câncer).
À medida que as pesquisas continuam, a evidência correlacionando o consumo de carne com outras formas de câncer está se acumulando a uma velocidade alarmante. A Academia Nacional de Ciências relatou em 1983 que "as pessoas serão capazes de prevenir muitos tipos de câncer ao comer menos carnes gordurosas e mais legumes e grãos". E em seu Notes on the Causation of Câncer (Anotações Acerca da Causa do Câncer), Rollo Russel escreve: "Verifiquei que entre 25 países alimentando-se amplamente de carne, 19 apresentavam uma alta incidência de câncer e apenas um mostrava baixa incidência, e que entre 35 países alimentando-se de pouca ou nenhuma carne, nenhum apresentou uma alta incidência".
Alguns dos resultados de maior impacto na pesquisa do câncer vieram da exploração dos efeitos das nitrosaminas. As nitrosaminas formam-se quando as aminas secundárias, prevalecentes na cerveja, no vinho, no chá e no cigarro, reagem, por exemplo, com conservantes químicos na carne. A entidade chamada Food and Drug Administration considerou as nitrosaminas, "um dos grupos de carcinógenas mais versáteis e formidáveis jamais descobertos, e seu papel na etiologia do câncer humano tem causado crescente apreensão entre os especialistas". O Dr. William Lijinsky do Laboratório Nacional de Oak Ridge conduziu experimentos nos quais os animais testados foram alimentados com nitrosaminas. Dentro de seis meses ele encontrou tumores malignos em 100% dos animais. "Os cânceres", disse ele, "estão espalhados por toda a parte, no cérebro, nos pulmões, no pâncreas, no estômago, no fígado, nas supra-renais e nos intestinos. As funções orgânicas dos animais viram uma grande confusão".

Substâncias químicas perigosas na carne

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Numerosas outras substâncias químicas potencialmente perigosas, das quais os consumidores não estão geralmente inteirados, estão presentes na carne e seus
derivados industrializados. Em seu livro Poison in Your Body (Venenos em seu Corpo), Gary e Steven Null dão-nos uma visão interna dos artifícios utilizados nas fábricas
institucionalizadas de produtos animais. Os animais são mantidos vivos e engordados através da administração contínua de tranquilizantes, hormônios, antibióticos e 2.700 outras drogas", escrevem eles. "O processo começa antes mesmo do nascimento e continua muito tempo após a morte. Embora tais drogas ainda estejam presentes na carne quando você a come, a lei não exige que elas sejam enumeradas."
Uma das substâncias químicas é o dietilstilbestrol (DÊS), um hormônio que promove o crescimento e que tem sido usado nos Estados Unidos durante os últimos 20 anos a despeito dos estudos que demonstraram ser ele carcinogênico. Proibido em 32 países por ser considerado um sério perigo à saúde, ele continua sendo usado pela indústria da carne dos Estados Unidos, possivelmente porque a entidade chamada Food and Drug Administration calcula que ele poupe mais de 500 milhões de dólares anualmente aos produtores de carne.
Outro popular estimulante do crescimento é o arsénico. Em 1972 o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos verificou que este veneno bem conhecido excedia o limite legal em 15% nas aves de criação da nação.
O nitrato e o nitrito de sódio, substâncias químicas usadas como conservantes para retardar a putrefação da carne defumada e de derivados da carne, inclusive presunto, toucinho, salame, linguiça e peixe, põem, também, a saúde em risco. Estas substâncias químicas dão à carne uma aparência vermelho-brilhante ao reagir com os pigmentos do sangue e do músculo. Sem estas substâncias a tonalidade marrom-acinzentada natural da carne morta afastaria muitos consumidores em perspectiva.
Infelizmente estas substâncias químicas não distinguem o sangue de um cadáver do sangue de um ser humano, e muitas pessoas acidentalmente sujeitas a quantidades excessivas morreram de envenenamento. Mesmo quantidades menores poderão ser perigosas, especialmente para crianças ou bebês e, portanto, o Comité Abalizado das Nações Unidas sobre Aditivos no Alimento — a Organização para Alimento e Agricultura e a Organização Mundial da Saúde (OAA-OMS) em conjunto — alertou: "Em nenhuma hipótese deve-se adicionar nitrato ao alimento do bebê". A. J. Lehman da Food and Drug Administration apontou que, "existe uma pequena margem de segurança entre a quantidade de nitrato que não é prejudicial e aquela que pode ser perigosa".
Em decorrência das condições sujas e amontoadas a que os animais são forçados pela indústria da carne de corte, faz-se necessário o uso de grandes quantidades de antibióticos. Mas tal uso exacerbado de antibióticos propicia o aparecimento de bactérias resistentes aos mesmos, as quais são transmitidas àqueles que comem a carne. A Food and Drug Administration estima que a penicilina e a tetraciclina poupam 1,9 bilhões de dólares por ano à indústria da carne, o que lhe dá razão suficiente para fazer vistas grossas aos perigos potenciais à saúde.
O trauma de ser chacinado também acrescenta "venenos da dor" (tais como estimulantes fortíssimos) à carne. Estes juntam-se no sangue do animal aos detritos que não foram eliminados, tais como a ureia e o ácido úrico, contaminando ainda mais a carne comida pêlos consumidores.

Doenças na carne

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Além das substâncias químicas perigosas, a carne frequentemente contém doenças dos próprios animais. Apinhados em condições sujas, alimentados à força e tratados com desumanidade, os animais destinados à matança contraem muito mais doenças do que normalmente contrairiam. Os inspetores da carne tentam eliminar os produtos inaceitáveis, mas devido a pressões da indústria e à falta de tempo suficiente para exame, muito do que é aprovado é muito menos saudável do que os compradores de carne imaginam.
Em 1972 um relato do Departamento de Agricultura dos listados Unidos arrola as carcaças permitidas pela inspeção depois que as partes doentes foram removidas. Os exemplos incluíam quase 100.000 vacas com câncer de olho e 3.596.302 casos de fígado obscedido. O governo permite também, o comércio de galinhas com uma doença parecida com a pneumonia, que ocasiona o acúmulo de muco carregado de pus nos pulmões. A fim de satisfazer os requisitos federais, as cavidades toráxicas das galinhas são aspiradas com aparelhos de sucção de ar. Mas durante este processo os sacos aéreos doentios rompem-se e o pus derrama-se pela carne.
Tem-se verificado que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tem se mostrado frouxo em impor seus próprios requisitos inadequados. Em função de observar as agências ins-petoras federais a Repartição Geral de Relatos acusou o Departamento de Agricultura por sua falha em corrigir diversas violações dos matadouros. Carcaças contaminadas com fezes de roedores, baratas e bolor foram descobertas em companhias que vendem carne enlatada tais como a Swift e a Armour. Alguns inspetores tentam explicar essas concessões alegando que, caso as regulações fossem aplicadas, nenhuma companhia de carne enlatada seria capaz de continuar seu comércio.

Nutrição sem carne

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Muitas vezes a menção do vegetarianismo provoca uma reação esperada: "E a proteína?" A isto o vegetariano poderia muito bem replicar: "Que me diz você do elefante? E do touro? E do rinoceronte?" Tanto as ideias de que a carne tenha o monopólio da proteína quanto as de que grandes quantidades de proteína sejam necessárias para a obtenção de força e de energia não passam de mitos. Enquanto digerida, a maioria das proteínas se decompõe em seus aminoácidos constituintes que novamente se unem, sendo usados pelo corpo para seu crescimento bem como para a reposição tissular. Destes 22 aminoácidos apenas oito não são sintetizados pelo próprio corpo, e estes oito "aminoácidos essenciais" existem em abundância em alimentos não cárneos. Leite e derivados, grãos, feijões e nozes são todos altamente providos de proteína. Queijo, amendoim e lentilhas, por exemplo, contém peso por peso, mais proteína do que hamburger, carne de porco ou rosbife. Um estudo conduzido pelo Dr. Fred Stare de Harvard e pelo Dr. Mervyn Hardinge da Universidade de Loma Linda fez extensas comparações entre a ingestão proteica dos vegetarianos e dos carnívoros. Eles concluíram que "cada grupo excedia duas vezes o conteúdo de cada aminoácido essencial e a maioria deles ultrapassava em grande parte este valor".
A proteína constitui mais de 20% da dieta de muitos americanos, quase duas vezes mais que a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Embora quantidades inadequadas de proteínas causem fraqueza, a proteína em excesso não pode ser utilizada pelo corpo, ao invés disso, ela é convertida em detritos nitrogenados que sobrecarregam os rins. A fonte primária de energia do organismo são os carboidratos. Só como um último recurso são as proteínas do corpo utilizadas para a produção de energia. Muita ingestão proteica na verdade reduz a capacidade energética do organismo. Em uma série de testes comparativos de resistência foram conduzidos pelo Dr. Irving Hisher de Yale, os vegetarianos foram duas vezes mais habilitados que os carnívoros. Ao reduzir 20% do consumo proteico dos não-vegetarianos, o Dr. Fisher observou que sua eficiência aumentou 33%. Numerosos outros estudos demonstraram que uma dieta vegetariana apropriada fornece muito mais energia nutritiva que a carne. Além do mais, um estudo conduzido pelo Dr. J. lotekyo e V. Kipani na Universidade de Bruxelas demonstrou que os vegetarianos foram capazes de realizar testes físicos em um período duas a três vezes maior que o dos carnívoros sem ficarem esgotados e se recuperaram da fadiga em uma quinta parte do tempo necessário aos comedores de carne.

Referências
1. "Diet and Strcss in Vascular Disease", Journal ofthe American Medicai Association, 3 de junho de 1961, pág. 806.
2. "Diet and Coronary Heart Disease", um informe desenvolvido pelo Comité de Nutrição c autorizado para liberação pelo Comité Central para Programas Médicos e Comunitários da Associação Cardiológica Americana, 1973.
3. "Diet and Coronary Heart Disease", Journal of the American Medicai Association, volume 222, número 13, (25 de dezembro de 1972), pág. 1647.
4. Michacl J. Hill, M.D., "Metabolic Epidemiology of Dietary Factors in Large Bowcl Câncer", Câncer Research, vol. 35, número 11, parte 2 (novembro de 1975), págs. 3398-3402; Bandaru S. Reddy, Ph.D., e Ernest L. Wynder, M.D., "Large-Bowel Carcinogenisis: Fecal Constituents of Population with Diverse Incidencc Rates of Cólon Câncer", Journal ofthe National Câncer Institute, vol. 50, 1973, págs. 1437-1441.
5. Dr. Sharon Fleming, correspondência pessoal, 26 de fevereiro de 1981.
6. Los Angeles Herald Examiner. 1. Citado de Câncer e Outras Doenças Advindas do Consumo de Carne, Blanche Leonardo, Ph.D., 1979, pág. 12.
8. Afirmativa do Dr. William Lijinsky, na audiência da Câmara de Deputados dos Estados Unidos sobre "Regulação dos Aditivos nos Alimentos e dos Alimentos Medicamentosos Animais", março, 1971, pág. 132.
9. "Arsenic in Chicken Liver to Be Reviewed by Agency", Wall Street Journal, 13 de janeiro de 1972.10. Jean Snyder, "O que Você Deveria Saber Acerca da Carne que Você Come",To da y's Health, vol. 19, dezembro de 1971, págs. 38-39.
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(...) Em seu best-seller de 1975, O Relato do Eco-Espasmo, o futurista Alvin Tojfler, autor de Futuro Choque e de A Terceira Onda, sugeriu uma esperança positiva para a crise alimentar mundial. Ele previu "a ascenção súbita de um movimento religioso no Ocidente que restringiria o consumo de carne de gado, poupando, assim, bilhões de toneladas de cereais e fornecendo uma dieta nutritiva para o mundo como um todo".

Resolvendo o problema da fome

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Francis Moore Lappé, perita em nutrição e autora do best-seller Dietfor a small Planei (Dieta para um Planeta Pequeno), disse em recente entrevista na televisão que deveríamos olhar para um pedaço de bife como para um Cadillac. "O que eu quero dizer", explicou ela, "é que nós nos Estados Unidos tornamo-nos dependentes de grandes carros que consomem muita gasolina devido à ilusão do petróleo barato. Da mesma forma, tornamo-nos prisioneiros de uma dieta centralizada na carne, obtida por uma alimentação animal rica em cereais, em decorrência da ilusão do baixo preço destes".
De acordo com a informação compilada pelo Departamen-lo de Agricultura dos Estados Unidos, até 90% de todos os cereais produzidos nos Estados Unidos são utilizados para alimentar iininiais de corte — vacas, porcos, caprinos e galinhas — que aca-IMW nas mesas de refeição. No entanto, o processo de se utilizar irreais para a produção de carne é incrivelmente improdutivo.

O Custo Oculto da Carne - O Mito da Escassez

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Por exemplo, a informação proveniente do Serviço de Pesquisa Económica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revela que conseguimos de volta apenas meio quilo de carne de gado para cada 7 quilos de cereais.
Em seu livro Proteins: Their Chemistry and Politics, o Dr. Aaron Altshul observa que, em unidades de calorias por hectare, uma dieta à base de cereais, legumes e feijão mantém 20 vezes mais pessoas que uma dieta à base de carne. Conforme se verifica atualmente, cerca da metade dos campos de colheitas americanos é utilizada para alimentar animais. Se usassem os campos aráveis da Terra principalmente para a produção de alimentos vegetarianos, o planeta poderia facilmente manter uma população humana de mais de 20 bilhões de pessoas.
Fatos semelhantes a estes levaram os peritos em alimentação a apontar que o problema nutricional do mundo é amplamente ilusório. O mito da "superpopulação" não deveria ser utilizado pêlos defensores do aborto para justificar a matança de mais de 50 milhões de crianças não-nascidas a cada ano em todo o mundo. Mesmo agora já estamos produzindo alimento suficiente para todos no planeta, mas infelizmente o mesmo está sendo repartido de maneira ineficiente. Em relato submetido à Conferência Mundial de Alimentos das Nações Unidas (Roma, 1974), Rene Dumont, uma economista em agricultura junto ao Instituto Agrícola Nacional da França, emitiu a seguinte opinião: "O consumo excessivo de carne pêlos ricos significa fome para os pobres. Deve-se mudar esta agricultura contraproducente — pela supressão de lotes onde se engorda o gado com cereais e mesmo através de uma redução maciça do gado de corte".

As vacas vivas são uma vantagem econômica

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É por demais claro que uma vaca viva fornece à sociedade mais alimento do que quando morta — sob a forma de fornecimento contínuo de leite, queijo, manteiga, iogurte e outros alimentos ricos em proteína. Stewart Odend'hal, da Universidade de Missouri, realizou em 1971 um estudo pormenorizado com vacas na Bengala e observou que, longe de privar os seres humanos de alimento, elas comiam somente os restos não aproveitáveis das colheitas (cascas de arroz, bagaços de cana-de-açúcar, etc.) e capim. "Basicamente", disse ele, "o gado converte itens de pouco valor humano direto em produtos de utilidade imediata." Isto deverá pôr de lado o mito de que as pessoas estão passando fome na índia porque não matam suas vacas. É interessante observar que a índia recentemente parece ter superado seus problemas alimentares, que sempre estavam mais relacionados com rigorosa seca ocasional ou com levantes políticos do que com as vacas sagradas. Um grupo de peritos junto à Agência para o Desenvolvimento Internacional, em uma declaração citada no Registro do Congresso para 2 de dezembro de 1980, concluiu: "A Índia produz o suficiente para alimentar toda a sua população".
Se lhes for permitido viver, as vacas produzirão alimentos de alta qualidade e ricos em proteína que vão além da imaginação. Nos Estados Unidos há uma tentativa deliberada de imitar a produção de derivados lácteos; não obstante, Sam Gibbons, deputado da Flórida, relatou recentemente ao Cogresso que o governo dos Estados Unidos estava sendo forçado a armazenar "montanhas de manteiga, queijo e leite em pó desnatado". Ele disse a seus colegas: "Temos atualmente cerca de 200 milhões de quilos de manteiga, 250 milhões de quilos de queijo e cerca de 350 milhões de quilos de leite em pó desnatado". O suprimento aumenta cerca de 20 milhões de quilos a cada semana. Com efeito, as 10 milhões de vacas americanas fornecem leite c-m tanta quantidade que o governo libera periodicamente milhões de quilos de produtos derivados do leite para serem distribuídos entre os pobres e os famintos. Fica visível e claro que as vacas vivas constituem um dos mais valiosos recursos alimentares da humanidade.

O Custo Oculto da Carne - O Mito da Escassez

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Florescem movimentos que visam salvar da matança as focas, os golfinhos e as baleias — por que, então, não haveria um movimento para salvar as vacas? Isso parece ser uma ideia sensata mesmo que apenas do ponto de vista económico — a menos que você faça parte da indústria da carne, a qual está cada vez mais preocupada com o crescimento do vegetarianismo. Em junho de 1977 o Farm Journal (Jornal Agrícola), uma importante revista comercial, imprimiu um editorial intitulado: "Quem defenderá o bom nome da carne de gado?" A revista instava que os criadores de gado de corte da nação contribuíssem com 40 milhões de dólares para que se financiasse a publicidade e, assim, se mantivesse bem alto tanto o consumo quanto o preço da carne de gado.

Você paga pela carne mais do que pensa

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A indústria da carne é uma poderosa força económica e política e, além de despender milhões de seus próprios dólares para promover o consumo de carne, ela também conseguiu controlar uma boa parte de nosso imposto. Falando de forma prática, o processo de produção de carne é tão custoso e desgastante que a indústria necessita de subsídios para sobreviver. A maioria das pessoas não está consciente de como os governos nacionais apoiam intensamente a indústria da carne através de concessões evidentes, de garantias favoráveis de empréstimo e assim por diante. Em 1977, por exemplo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos comprou 100 milhões de dólares a mais de carne de gado excedente para programas de merenda escolar. Naquele mesmo ano os governos da Europa Ocidental gastaram quase meio bilhão de dólares, comprando dos fazendeiros o excesso de produção de carne e gastaram outros milhões para estocar o mesmo.
Mais impostos são utilizados sob a forma de milhões de dólares que o governo dos Estados Unidos aplica a cada ano para manter uma rede de inspetores, para inspecionar o problema pouco divulgado das doenças animais. Quando os animais doentes são destruídos o governo paga uma indenização aos donos. Por exemplo, em 1978 o governo americano pagou 50 milhões do dinheiro do imposto de seus cidadãos para indenizações ao controle da brucelose, uma doença semelhante à gripe que aflige o gado e outros animais. Em outro programa o governo dos Estados Unidos fornece empréstimos de 350 mil dólares para os produtores de carne. Outros fazendeiros recebem abono de no máximo 20 mil dólares. Um editorial do New York Times denominou este título de subsídio como sendo "ultrajante", caracterizando-o como "um roubo escandaloso do erário". Apesar de as agências de saúde do governo evidenciarem que há associação entre o consumo de carne e o aparecimento de câncer e de doenças cardíacas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos continua gastando milhões de dólares na promoção do consumo de carne através de suas publicações e de programas de merenda escolar.

Dano ao meio ambiente

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Outro preço que devemos pagar pelo consumo da carne é a deterioração do meio- ambiente. O Serviço de Pesquisa Agrícola dos Estados Unidos considera o sistema de esgoto altamente contaminado dos matadouros e dos pastos de alimentação como uma importante fonte de poluição dos rios e correntes da nação. Está se tornando cada vez mais evidente que as fontes de água pura deste planeta estão não apenas ficando poluídas como também estão sendo esgotadas, e a indústria da carne é especialmente destrutiva. Em seu livro Population, Resourses and Environment, Paul e Anne Ehrlich observaram que, para se cultivar meio quilo de trigo era necessário apenas 27 litros de água, ao passo que a produção de meio quilo de carne requeria entre 1.125 e 2.700 litros de água. E em 1973 o New York Time Post revelou este surpreendente abuso de um valioso recurso nacional — verificou-se que uma enorme instalação para matar galinhas estavautilizando 378 milhões de litros de água por dia! Este mesmo volume poderia suprir uma cidade de 25 mil habitantes.

Conflito social

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O processo desgastante da produção de carne, que requer maiores extensões de terra do que a agricultura dos vegetais, tem sido uma fonte de conflito económico na sociedade humana por milhares de anos. Um estudo publicado em Plant Foods for Human Nutrition revela que meio hectare de cereais produz cinco vezes mais proteínas do que meio hectare de pastagem reservado à produção de carne. Meio hectare de espinafre, 28 vezes mais proteína. Fatos económicos como estes eram conhecidos dos antigos gregos. Na República de Platão, Sócrates, o grande filósofo grego, recomendava uma dieta vegetariana porque ela permitiria ao país usar de maneira mais inteligente seus recursos agrícolas. Ele alertou que, se as pessoas começassem a alimentar-se de animais, haveria maior necessidade de campos de pastagens. "E a nação que era capaz de sustentar seus habitantes originais se tornará, agora, muito pequena; e isso não é bastante?", perguntou ele a Glauco, o qual respondeu que isto era de fato verdadeiro. "E, consequentemente, iremos à guerra, Glauco, não iremos?" Ao que Glauco replicou: "Com toda a certeza".
É interessante notar que o consumo de carne desempenhou um notável papel em muitas das guerras durante a era da expansão colonial europeia. O comércio de especiarias com a índia e com outras nações do Oriente foi motivo de grande contenção. Os europeus mantinham-se com uma dieta de carne preservada com sal. Com o objetivo de dissimular e variar o sabor monótono e desagradável de sua comida, eles compravam avidamente grandes quantidades de temperos. Tão colossais eram as fortunas feitas com o comércio de especiarias que os governos e os mercadores não hesitavam em valer-se das armas para garantir as fontes de suprimentos.
Na era atual, ainda existe a possibilidade de conflitos de massa tendo como base o alimento. Em agosto de 1974, a Agência Central de Inteligência (CIA) publicou um relato avisando que em futuro próximo poderá não haver alimento suficiente para a população do mundo, "a menos que as nações ricas diminuam rápida e drasticamente seu consumo de animais criados com cereais".

Poupando dinheiro através de uma dieta vegetariana

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Desviemo-nos, agora, da situação geopolítica do mundo e dirijamo-nos a nossos próprios livros. Embora não se divulgue amplamente, os cereais, os feijões e o leite são uma fonte excelente de proteína de alta qualidade. Peso por peso, muitos alimentos vegetais são fontes mais ricas deste nutrimento do que a carne. Uma porção de 100 gramas de carne contém apenas 20 gramas de proteína. Outro fato a ser considerado é que a carne contém mais de 50% de água por peso. Comparativamente, uma porção de 100 gramas de queijo ou de lentilhas fornece 25 gramas de proteína ao passo que 100 gramas de soja fornecem 34 gramas de proteína. Mas, embora a carne forneça menos proteína, ela custa muito mais. Uma análise local nos supermercados de Los Angeles em agosto de 1983 revelou que um quilo de lombo de vaca custava 3,89 dólares, ao passo que ingredientes essenciais para deliciosas refeições vegetarianas custavam em média, menos de cinquenta centavos por quilo. Um copinho de 227 gramas de requeijão ao custo de 59 centavos de dólar provê 60% da necessidade mínima diária de proteína. Ao se tornar vegetariana, cada pessoa que faz as compras da casa poderia economizar pelo menos centenas de dólares por ano e milhares de dólares ao longo de sua vida. Como um todo, os americanos poupariam bilhões de dólares anualmente. Considerando tudo isto, torna-se difícil compreender por que alguém não se tornaria vegetariano.

 

"Faze aos Outros..."
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"Não tenho dúvida de que a suspensão do consumo de animais faz parte integrante do destino da raça humana em seu aperfeiçoamento gradual." Thoreau
"Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para satisfação de nossos desejos corpóreos." Gandhi
A cada ano matam-se 134 milhões de mamíferos e 3 bilhões de aves para alimento nos Estados Unidos. Mas poucas pessoas fazem qualquer ligação consciente entre esta matança e os produtos cárneos que aparecem em suas mesas. Nos anúncios de televisão um palhaço chamado Ronald McDonald diz às crianças que o hamburger nasce nas "formas de hamburger". A verdade não é tão agradável — os matadouros comerciais assemelham-se a visões do inferno. Animais a berrar são golpeados por açoites e malho, por choque elétrico e por armas de concussão. Eles são, rnlão, suspensos pêlos pés e transportados através das fábricas da morte em sistemas condutores mecanizados. Muitas vezes, ainda vivos, suas gargantas são furadas e sua carne cortada. Descrevendo suas impressões de uma visita feita a um matadouro, o campeão de ténis Peter Burwash escreveu em seu livro A Viwtarian Primer. "Não costumo me amedrontar muito facilmente. Eu jogava hóquei até quando me fizeram engolir metade dos meus dentes. E sou altamente competitivo em quadra de tênis, mas aquela experiência no matadouro aterrorizou-me. Quando saí de lá, eu sabia que nunca mais maltrataria um animal novamente! Eu conhecia todos os argumentos fisiológicos, econômicos e ecológicos que apoiavam o vegetarianismo, mas foi a experiência direta da crueldade do homem para com os animais que estabeleceu o verdadeiro alicerce de meu compromisso com o vegetarianismo".

A Grécia e Roma antigas

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Considerações éticas sempre têm impelido muitas das maiores personalidades do mundo a adotarem uma dieta vegetariana. Pitágoras, famoso por suas contribuições à Geometria e à Matemática, disse: "Oh! queridos companheiros, não profaneis vossos corpos com alimentos pecaminosos. Nós temos milho, temos maçãs que curvam os galhos com seu peso e uvas crescendo nos vinhedos. Há ervas de sabor doce e legumes que podem ser cozidos e abrandados no fogo, nem se nos nega o leite ou o mel perfumado com menta. A terra proporciona um suprimento exuberante de riquezas, de alimentos inocentes e oferece-nos banquetes que não envolvem derramamento de sangue ou matança; somente as feras satisfazem sua fome com carne, mas nem todas elas, pois os cavalos, o gado e as ovelhas subsistem de grama". O biógrafo Diógenes conta-nos que Pitágoras comia pão e mel pela manhãe legumes crus à noite. Ele também pagava aos pescadores para que estes jogassem sua pesca de volta ao mar.
Em um ensaio intitulado "Acerca do Consumo da Carne" o autor romano Plutarco escreveu: "Podeis realmente perguntar que motivo tinha Pitágoras para se abster de carne? De minha parte não entendo através de que acidente e em que estado de espírito foi que a primeira pessoa sujou sua boca com sangue e levou seus lábios em direção à carne de uma criatura morta, pôs mesas de corpos mortos e em decomposição e ousou chamar de alimento e nutrição as partes que pouco antes haviam bramido e chorado, movimentavam-se e viviam. Como poderiam os olhos suportar a matança em que as gargantas eram perfuradas, a pele esfolada e os membros arrancados? Como poderia seu nariz aguentar o fedor? Como é que a contaminação não ensombrava seu paladar, o qual fazia contato com as misérias dos outros e sorvia os sucos e os soros de feridas mortais? Certamente não são leões e lobos que comemos para defesa pessoal; pelo contrário, ignoramos estes e chacinamos criaturas dóceis e inofensivas, sem presas ou dentes para nos atacar. Por um pouco de carne tiramo-lhes o sol, a luz e a duração de suas vidas a que elas têm direito por seu nascimento e por sua existência".
Ele, então, lançou este desafio aos carnívoros: "se afirmais ser naturalmente projetados para esta dieta, então primeiramente matais vós mesmos aquilo que desejais comer. Entretanto, lazei isto somente através de vossos próprios recursos, sem ajuda de um cutelo, de um cacete ou de qualquer tipo de machado".

Da Vinci, Rousseau, Franklin...

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Leonardo Da Vinci, o grande pintor, inventor, escultor e poeta da Renascença, epitomou a abordagem ética ao vegetarianismo. Ele escreveu: "Aquele que não dá valor à vida não a merece". Ele considerava os corpos dos comedores de carne como sendo locais de sepultamento", sepulturas dos animais que eles comiam. Seus livros e anotações estão cheios de passagens que mostram sua compaixão pelas criaturas vivas. Ele lamentava: "Números incontáveis destes animais terão seus filhos arrancados deles, rasgados e barbaramente trucidados".
O filósofo francês Jean Jaques Rousseau era um defensor da ordem natural. Ele observou que os animais carnívoros são geralmente mais cruéis do que os herbívoros. Ele concluiu, portanto, que uma dieta vegetariana produziria uma pessoa mais compassiva. Chegou mesmo a aconselhar que não se permitisse mais que os açougueiros testemunhassem no tribunal ou que se sentassem no júri. Em The Wealth of Nations (A Riqueza das Nações) o economista Adam Smith proclamou as vantagens de uma dieta vegetariana. "Pode-se, de fato pôr em dúvida se a carne dos açougues  é, de alguma maneira, necessária à vida. Grãos e outros legumes, juntamente com o leite, queijo e manteiga, ou óleo, caso não se tenha manteiga, propiciam a dieta mais completa, saudável, nutritiva e revigorante. Em nenhum lugar o decoro impõe que alguma pessoa deva comer carne". Considerações semelhantes motivaram Benjamin Franklin a se tornar um vegetariano aos dezesseis anos de idade. Franklin lucrou daí "maior progresso dessa maior clareza de pensamento e mais rápida compreensão". Em seus escritos auto-biográficos ele chamava o consumo de carne de "assassinato imotivado". O poeta Shelley era vegetariano convicto. Em seu ensaio "Em Defesa da Dieta Natural", ele escreveu: "Que o defensor da alimentação animal seja forçado a uma experiência da conveniência da mesma e, como recomenda Plutarco rasgue, um cordeiro vivo com seus dentes e, mergulhando sua cabeça nos órgãos vitais deste, mate sua sede com o sangue fumegante então, e só então, ele teria alguma lógica". O interesse de Shelley pelo vegetarianismo começou quando ele era estudante em Oxford, e ele e Harriet, sua esposa, adotaram a dieta logo após o seu casamento. Em uma carta datada de 14 de março de 1812, sua esposa escreveu a uma amiga: "Nós abandonamos a carne e adotamos o sistema pitagorista".
Shelley, em seu poema Queen Mab, descreveu um mundo utópico onde as pessoas não matavam animais para se alimentar: "Mata o cordeiro que o olha com confiança, e brutalmente devora sua macerada carcaça, a qual, ainda implorando da natureza a vingança, atiça todos os humores pútridos de sua devassa: todas as paixões daninhas, todas as vãs crenças, ódio, desespero e desprezo em sua mente, os germes da miséria, morte, crime e doenças."
O escritor russo Leon Tolstoy tornou-se vegetariano em IHX5. Abandonando o esporte da caça, ele defendia o "pacifismo vegetariano" e era contrário a que se matassem mesmo as menores entidades vivas, tais como as formigas. Ele sentia haver uma progressão natural da violência que conduzia inevitavelmente a sociedade humana à guerra. Em seu ensaio "O Primeiro Passo", Tolstoy escreveu que o consumo de carne é "simplesmente imoral, visto que envolve a execução de um ato contrário a conduta moral: matar". Tolstoy acreditava que, ao matar, "o homem suprime em si mesmo, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada — a da compaixão para com os seres vivos — , ao violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel".
O compositor Richard Wagner acreditava que toda vida era sagrada. Ele via no vegetarianismo a "dieta da natureza", a qual poderia salvar a humanidade das tendências violentas e ajudar-nos a retornar ao "Paraíso há muito perdido".
Em muitas ocasiões de sua vida, Henry David Thoreau foi um vegetariano. Embora sua prática fosse, na melhor das hipóteses, irregular, ele reconhecia suas virtudes. Em Walden ele escreveu: "Não é uma vergonha que o homem seja um animal carnívoro? É verdade que ele pode viver, e vive, em grande medida, da captura de outros animais; mas isto é uma forma miserável — como qualquer pessoa que pegar coelhos numa armadilha ou matar cordeiros poderá aprender — e será considerado um benfeitor de sua raça aquele que ensinar às pessoas a se restringir a uma dieta mais inocente e saudável. Qualquer que seja minha prática, não tenho dúvida de que a suspensão do consumo de animais faça parte integrante do destino da raça humana em seu aperfeiçoamento gradual, da mesma forma que as tribos selvagens deixaram de ser antropófagas ao entrarem em mulato com as mais civilizadas".

O Século XX
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Desnecessário se faz dizer que Mohandas Gandhi, o grande apóstolo da não-violência do Século XX, era vegetariano. Seus pais, sendo devotos hindus, nunca lhe deram carne, peixes ou ovos. Todavia, sob a regulação britânica, houve uma grande investida contra os princípios milenares da cultura indiana. Debaixo de tais pressões, muitos indianos passaram a adotar os hábitos carnívoros do Ocidente. Mesmo Gandhi foi vítima dos conselhos de alguns de seus colegas de classe que instavam a que ele comesse carne, pois ela aumentaria sua força e coragem. Mas, depois, ele assumiu novamente uma dieta vegetariana e escreveu: "É necessário que se corrija o erro de que o vegetarianismo nos tenha tornado fracos de mente ou passivos ou inertes de ação. Não considero a alimentação carnívora necessária em qualquer etapa". Ele escreveu cinco livros sobre vegetarianismo. Sua própria dieta diária incluía germe de trigo, pasta de amêndoa, hortaliças, limões e mel. Ele fundou a Fazenda Tolstoy, uma comunidade baseada em princípios vegetarianos. Em seu livro A Base Moral do Vegetarianismo, Gandhi escreveu: "Eu considero a alimentação cárnea inadequada à nossa espécie. Erramos ao copiar o mundo animal inferior se somos superiores a ele". Ele percebia que os princípios éticos eram uma base mais sólida para a adesão a um regime vegetariano que as razões de saúde. "Sinto", afirmou ele, "que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, buscando satisfazer nossos desejos corpóreos".
O dramaturgo George Bernard Shaw tentou primeiramente tornar-se vegetariano aos 25 anos de idade. "Foi Shelley quem por primeiro abriu meus olhos para a selvageria de minha dieta", escreveu ele em sua auto-biografia. Os médicos de Shaw avisaram-no de que a dieta iria matá-lo. Quando já estava velho, perguntaram-lhe porque ele não mostrava a eles o bem que a dieta lhe fez. Ele replicou: "Eu gostaria, mas eles já faleceram anos atrás!" Certa vez, alguém lhe perguntou porque ele parecia tão jovem. "Não, eu não pareço", retrucou ele. "Aparento a idade que tenho. São as outras pessoas que parecem ser mais velhas do que são. Que pode você esperar de pessoas que comem cadáveres?" Sobre a correlação entre o consumo de carne e a violência na sociedade humana, Shaw escreveu: "Oramos aos domingos para que possamos ter luz que guie nossas passadas na trilha que palmitamos; estamos saturados de guerra, o conflito não nos seduz; mesmo assim é dos mortos que nos fartamos."
H. G. Wells escreveu acerca do vegetarianismo em sua visão de um mundo futuro, A Modern Utopia. "Em todo o mundo da Utopia não existe carne. Costumava haver.
Mas agora não podemos tolerar a ideia dos açougues. E, em uma população educada e com aproximadamente o mesmo nível de boa condição física, é praticamente impossível encontrar alguém que degole um boi ou um porco... Ainda posso recordar, em minha juventude, a alegria ao fechar o último matadouro".
O escritor Isaac Bashevis Singer, ganhador do prémio Nobel, lornou-se vegetariano em 1962, aos 58 anos de idade. Ele disse: "Naturalmente lamento agora que tenha esperado tanto, mas antes larde do que nunca". Ele julga o vegetarianismo muito compatível com seu sistema místico de judaísmo. "Todos nós somos criaturas de Deus — é incoerente o fato de orarmos a Deus por misericórdia e justiça, enquanto continuamos a comer a carne dos animais que são mortos por nossa própria causa"... Embora aprecie o aspecto saudável do vegetarianismo, ele afirma muito claramente que a consideração ética é primária. "Mesmo que demonstrassem que comer carne faz bem para a saúde, ainda assim eu certamente não a comeria". (...)

(recebido via email)








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